Quem tem a liberdade de escolher o que comer?
- 21 de set. de 2022
- 2 min de leitura
A fome é uma questão política! Então, qual o meu, o seu, o nosso papel no combate à fome?
O nome do meu site refere-se à liberdade para comer. Mas, afinal, quem tem acesso a essa liberdade?
Como falar de liberdade para comer quando muitos não têm o poder de escolher o que comer ou nem sequer sabe se terão comida no prato?
Qual o meu, o seu, o nosso papel no combate à fome que sempre existiu, mas que nos últimos anos tem se intensificado ainda mais?
Não há como falar de liberdade alimentar, e não pensar em política, no contexto socioeconômico e também fazer um recorte de raça.
Pessoas em alto grau de vulnerabilidade social acabam sendo o grupo alvo da ausência de uma alimentação saudável e do direito de escolha pelo que se coloca à mesa. Nesse sentido, a alimentação precária, a fome e privação do direito de escolha do que de fato haverá em seus pratos, atinge diretamente, e com mais força, a população preta e pobre.
Com a alta no preço dos alimentos nos últimos anos, os hábitos alimentares das famílias de baixa renda têm mudado. Percebemos o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados. E não meus queridos, isso não é por uma questão de opção ou escolha.
O acesso à alimentação adequada é um direito, mas que só ocorre há uns, e outros, não.
A população preta e periférica é acometida por diversos obstáculos para ter acesso a alimentos frescos e in natura. E o que está ao seu alcance (quando está)? Os alimentos industrializados e ultraprocessados. Já pensou como em longo prazo isso vai aumentando a predisposição a problemas como hipertensão e diabetes? E quem é a população com maior índice de prevalência dessas doenças? Sim, pessoas negras.
Dentre inúmeros fatores, quem lucra? A indústria alimentícia e a farmacêutica.
Precisamos pensar sobre os mecanismos políticos que mantêm o racismo e as desigualdades sociais que distanciam e limitam o acesso ao alimento saudável para a maioria da população. Vou deixar referências ao final.
Não há como negar que há milhões de pessoas passando fome, e em sua maioria pessoas negras vivem maiores graus de insegurança alimentar. A fome é um fenômeno social e coletivo, e sim, a fome é política.
Nos últimos anos, principalmente no atual governo, temos visto um desmonte das políticas públicas de proteção social e isso compromete diretamente a segurança alimentar e nutricional e a saúde.
Precisamos entender o nosso papel fundamental de eleger políticos que tem como pauta prioritária a fome e a miséria. Essas pautas deverão encontrar prioridade na agenda dos debates políticos, dos palanques e dos comícios. É fundamental que você pense o quanto seus candidatos priorizam isso.
A fome é política e nós podemos fazer revoluções nas urnas.
Vote consciente!
Recomendação de leitura:
AFRIKA, Llaila. Nutritional Destruction of Black People: Nutricide. Pennsylvania: EWorld; 2013.
Agenda Betinho 2022. Combater a fome e garantir a soberania e segurança alimentar e nutricional. Disponível em: https://ifz.org.br/agenda-betinho-2022-2/



Comentários