Quando o assunto é alimentação, é comum a ideia de quanto menos, melhor.
É frequente ouvir relatos de pessoas que dizem ficar grandes períodos sem se alimentar (mesmo quando estão com fome), seja por motivos de uma rotina acelerada ou até pela restrição alimentar.
O que acontece é que quando se atinge o ápice da fome pode ficar mais difícil ter uma alimentação moderada e mais consciente, o que pode ser um estímulo ao comer excessivo.
Essa busca por uma quantidade maior de comida, que muita gente acredita ser gula ou uma questão de falta de força de vontade, na verdade é um impulso natural. Vou explicar: os alimentos e a energia proveniente deles são essências para nossa sobrevivência, assim se não comemos o suficiente um mecanismo biológico aciona nosso desejo de comer.
E, em geral, você já percebeu que a busca é maior por alimentos mais fonte de carboidratos?
Isso acontece porque a privação ou o comer insuficiente estimulam o neuropeptídeo y, que é uma substância produzida pelo cérebro que ativa nosso apetite por carboidratos. Ou seja, ao entrar em ação o neuropeptídeo y leva o corpo a buscar mais carboidratos.
Ficou ainda mais claro que o seu desejo maior por carboidratos depois de um longo período em jejum ou quando faz dieta, não é uma questão de falta de força de vontade, mas a biologia (o neuropeptídeo) suplicando por comida?
Então quando você nega a fome voluntariamente com jejuns prolongados e restrições, mais forte e intenso podem ser o desejo por comida.
O interessante a se fazer é respeitar sua fome fisiológica. O primeiro passo pode ser prestar maia atenção nela e assim identificar seus diferentes níveis (sim, o sinal de fome não é só quando o estômago ronca) e, a partir disso ir criando mecanismos para honrá-la, seja fazendo pequenas pausas para o lanche, planejando ter alimentos disponíveis, criar possibilidades de ter tempo para o café da manhã (muita gente pula essa refeição), enfim, criar estratégias que sejam viáveis para você.
Manter a regularidade das refeições pode te ajudar muito a evitar impulsividade com a comida.
E ai, você tem percebido e respeitado sua fome?
Referência:
TRIBOLE, E; RESCH, E. Comer Intuitivo [tradução Débora Chaves]. 1 ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
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